quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Jetzt Verliebt

Como comecar?
Acho que posso comecar dizendo que teclados alemaes nao tem cedilha.
E nem acento tio.
Mas enfim, hoje eu parei para pensar e decidi que seria interessante criar um blog sobre meu ano de intercâmbio - mesmo que eu nao vá atualizá-lo com frequencia. Sabe como é, amanha faz um mês que eu estou aqui em Lübeck, e ainda nao fiz nada para registrar tudo o que já aconteceu. E acredite, já aconteceu muita coisa.
Para quem nao sabe, Lübeck é a cidade onde estou agora na Alemanha, uma cidade tombada como patrimônio hitórico-cultural pela UNESCO, ou "A cidade do marzipan", como também é conhecida.
Mas se você nao souber o que é marzipan, nao tem problema, porque eu também nao sabia.
Minha família aqui se resume a um casal, Monika e Gero (pronuncia-se "Guêrro"), que sao meus Gasteltern - pais hospedeiros. Ambos sao muito queridos e fáceis de conviver, e sao pessoas super ativas que sempre tem alguma ideia do que fazer, seja ir a algum festival na cidade, seja viajar até a praia... Eles sempre pensam em algo, e por isso eu já conheci bastante as redondezas.
Mas nao, nao irei fazer um resumo de tudo o que fiz até agora. Até porque eu nao consigo lembrar de tudo de uma vez e eu quero ver se consigo escrever rapidinho aqui, já que eu tenho tarefas para fazer e ninguém merece passar uma tarde inteira contando detalhezinhos da minha estadia sendo que ninguém teria paciencia para ler.
Nao foi nisso que eu pensei quando voltava hoje da escola.
Ou melhor, quando voltava hoje da escola na chuva.
A pé.
Sem guarda-chuva.
Se você acha que Joinville chove muito, venha me fazer uma visitinha em Lübeck e ai nós podemos conversar.
Ah, e eu preciso dizer: o pessoal aqui gosta muito de flores. No jardim da frente tem uma roseira enorme que cresce para todos os lados, como, por exemplo, sobre o caminho de pedra que leva até a entrada. E quando as pessoas estao fugindo da chuva e nao olham para a frente, elas dao de cara com a roseira e ganham um lindo arranhao sobre o nariz.
Pessoas tipo eu.
Mas ultimamente eu ando tao desastrada, que esse tipo de coisa está virando rotina.
Coisas tipo tropecar na escada, quase atropelar um cara enquanto ando de bicicleta, colocar um copo na máquina e nao ver que ainda tem água dentro dele, bater a coxa umas 782364 vezes no canto da escrivaninha - daqui a pouco o roxo vai virar permanente -, ir numa loja e quase sair esquecendo de pagar... E por aí vai.
No fim, eu nem me incomodo mais. Acabo é rindo da minha própria estupidez e seguindo em frente.
A única coisa que me incomoda aqui é a língua.
Nao conseguir falar fluentemente é um enorme obstáculo, principalmente na escola. Apesar de eu estar fazendo amizades, quando os adolescentes falam entre si fica complicado para entender. E muitas vezes eu entendo errado o que os professores querem dizer.
Por exemplo: Hoje nós iríamos visitar uma galeria com a professora de artes. Ok, isso eu havia entendido. O que eu nao havia entendido era que seria na primeira aula e que nós deveríamos nos encontrar na tal galeria.
Ou seja, lá foi a Julia até a escola só para descobrir que nao tinha ninguém na sala de aula.
A minha sorte foi que, quando eu voltei para casa - que é bem perto da escola - já pensando em como eu chegaria na tal galeria a tempo - ir a pé iria demorar muito e minha bicicleta estava molhada -, eu dei de cara com o vizinho saindo para o trabalho. Ele perguntou o que aconteceu, por que eu estava voltando da escola, e depois que eu contei a história, ele me ofereceu uma carona até a tal galeria.
Acho que eu nunca disse tanto "vielen Dank" (muito obrigado) na minha vida.
No fim deu tudo certo e eu acabei conhecendo mais um lugar legal aqui na cidade, mas é muito frustrante nao conseguir entender tudo.
Bem, com o tempo isso melhora.
E eu que queria escrever rapidinho, já estou aqui há quase uma hora.
O resto eu deixo para a próxima, já eu que eu tenho tarefas a fazer e uma latinha de Guaraná para tomar - porque, sim, eu descobri um lugar onde vende Guaraná aqui. Depois que eu tiver andarilhado um pouco mais, volto para dar notícias. 
Até a próxima!

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